Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV) x Intolerância a Lactose (IL)

 

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     O leite de vaca (LV) é composto por 3 “macronutrientes” (nutrientes que estão em maior quantidade nos alimentos): proteínas, carboidratos e lipídeos (gorduras). As proteínas contidas no LV são a caseína e as proteínas do soro do leite, lactoalbumina e lactoglobulina. O carboidrato do leite, também chamado de açúcar do leite é a lactose. Aqui faço um parêntese para deixar clara a diferença entre APLV e IL, pois são frequentes os relatos de familiares, amigos e até mesmo profissionais de saúde que confundem APLV com IL.

     O nutriente responsável pela reação alérgica é a proteína, a denominação APLV deixa claro que a alergia é à PROTEÍNA do leite de vaca. Essa proteína é capaz de desencadear a reação imunológica, a qual pode se manifestar em vários sistemas: cutâneo, respiratório, digestório, cardiovascular, neurológico.

    Não existem relatos de reações alérgicas aos carboidratos. Na IL a reação adversa não é uma reação alérgica, pois não envolve o sistema imunológico e o nutriente envolvido não é uma proteína.

 A LACTOSE é um carboidrato!

NÃO EXISTE ALERGIA À LACTOSE!

     Esse carboidrato é formado por duas partes menores ligadas entre si (galactose e glicose) que precisa ser quebrado por uma enzima localizada na parede intestinal, a LACTASE. Quando a lactase está diminuída a lactose não é completamente digerida permanecendo na luz intestinal e sendo fermentada por bactérias locais. O produto dessa fermentação é a formação exagerada de gases, que causam distensão abdominal e dor. Além disso a lactose é uma carboidrato de alta osmolaridade (alta concentração), o que faz a água migrar dos tecidos para o intestino causando desidratação e fezes aquosas.

     Portanto diarreia e dor abdominal podem ser sintomas comuns da APLV e IL, mas com fisiopatologia e tratamentos diferentes. A manifestação em outros sistemas orgânicos, que não no trato intestinal, exclui a IL.

     O diagnóstico das alergias alimentares é dado pelo médico. Uma boa anamese com a maior riqueza de detalhes possível ajudará ao profissional a suspeitar de alergia alimentar e seguir com a investigação. Dependendo dos sintomas e do tempo das reações. Por isso bons profissionais com vivência nesse tipo de doença são fundamentais para um diagnóstico efetivo e rápido restabelecimento da saúde da criança.